Há um passo das estrelas - livro vetado - rascunho
Há um passo das estrelas
Me sentindo uma inútil, me responsabilizando por isso, sofrendo, mas colaborando! Sendo cobrada por homens por um trabalho braçal que a depressão não permite e que por vezes é realizado as escuras sem reconhecimento e valorização por ser o trabalho feminino. Limpando por 7 anos caixa de gordura, pintando madeira, lutando, rejuntando, pintando. E que por vezes a depressão dificulta que eu realize estes tipos de trabalho. Satisfaço então com o trabalho braçal de uma mulher feia o pênis e o desejo gigante que um homem tem por uma mulher bonita. De intelecto pouco matemático e mais humano do que o de uma mulher como eu. Chega então o legislador insinuar que clitóris equivale ao tamanho do falo e o desejo de um homem de pouca vergonha.
Ao legislador
1º Passo
Viver de Verdades
Seu destino é a prisão ou a morte gritou um morador de rua que passou correndo por Ana Amélia enquanto ela saia de um banco na Av. Augusto de Lima. Ana estava um pouco tonta porquê havia acabado de descobrir uma gravidez de um rapaz que foi apenas seu conhecido. Depois da tontura estava enxarcada de suor e foi quando se assentou em uma lanchonete e a garçonete.
disse: gastando tempo fazendo coisas sem sentido por ai?
Respondeu
- Sim, algumas coisas sem sentido para mim, mas talvez com algum sentido para o mundo.
Garçonete
-Já trago o seu pastel.
Sabe aqueles cientistas que vivem a vida toda pelo sentido universal? Então Ana Amélia é uma jovem que não vive pelos sentidos alienados do universo. A reprodução para ela tinha um sentido um tanto cruel. É abdicar dos prazeres pessoais, algo que para ela estava doendo muito fazer. Estava acostumada com os sentidos prazerosos. Comeu o pastel com um refrigerante de laranja.
Ana então caminhou até a rua São Paulo e deu sinal para que ônibus direção bairro Olhos d’ água parasse. O motorista cordialmente parou o ônibus e disse:
- Boa tarde senhorita
Na entrada da tarde e com um sentimento lacrimoso e fúnebre Ana estava com um papel amassado e molhado de suor em suas mãos, um teste de gravidez positivo que tinha buscado em laboratório central. Ela tinha naquele momento que sentir a obrigação de dar de si e ser no mínimo uma cientista que vive pelos sentidos e qualidade de vida dos outros. Ana Amélia não tinha opção ia ser mãe o feto já estava em seu ventre.
Ana passou pela catraca e se assentou no banco dos fundos. Foi quando uma turma de adolescentes entrou conversando alto sobre diversos assuntos e com uma linguagem específica e que alguns termos ela nem se quer conseguia compreender. Com um pouco de medo ela prestou atenção na conversa daquelas pessoas que pareciam ser os artistas de apresentação teatral ou musical, dava para perceber que todos os ocupantes do ônibus também estavam atentos a tudo o que era dito.
A garota que eles chamavam entre eles de Tita disse:
- Não consigo escrever em papel, só em parede e em tronco de ´À,rvore também. Parece até àquelas questões espirituais, que artista eu não sou, devo ser alguma marginal tentando alguma coisa. Há sei lá quem são meus pais, provavelmente sou sem herança de qualquer coisa que pudesse ser uma manifestação artística reconhecida pela sociedade.
Tita era a ocupante do grupo que dentre eles conseguia falar uma linguagem mais completa. Os outros falavam palavras mais curtas e que algumas palavras eram inventadas pelo próprio quarteto.
Foi quando um outro integrante do grupo chamado por todos de Tatu disse:
- De rocha mano.
Foi quando o chupeta disse:
- Para essa budega ai motorista, vamo descer. O que eu queria mermo era um surfe maluco no teto dessa caroça. A última vez que fiz isso cara, uma policial mando eu ,descer.
Ana toda suada de um medo que molhou até o banco do ônibus desceu três pontos depois. Chegando em casa de paredes sem pintura aparentemente de classe média baixa. Ana perguntou sua mãe se havia mandado pagar a conta de energia que deixou o dinheiro do que inclusive teria sido o dinheiro do seu último salário, pois tinha sido demitida. Algumas notícias ruins tinha que passar naquele dia para sua matriarca. As duas se assentaram no sofá e já eram três da tarde, ambas com uma xícara de café que sua mãe havia acabado passar.
Ana chorando disse:
- Não sei por onde começar.
A mãe disse:
- Comece pelo que mais dói.
Ana
- Estou demitida.
A mãe
- E o que te assusta?
Ana
- Estou grávida.
A mãe
_ Tem algo pior que isso?
Ana
- Não conheço o pai.
Mãe
- Pensei que você fosse alguém que pudesse salvar a família Ana. Sabe que para sobreviver na vida é preciso adquirir um aspecto monstruoso.
Ambas ficaram três minutos em silencio parecendo que refletiam sobre algo. Toda família em seu privatus in sito articula algo, articula como salvar uns aos outros no mundo que os cerca. Os indivíduos e famílias que articulam bem isso, pensam que devem ficar longe da prisão e conseguir dinheiro o suficiente para as necessidades humanas.
Ana disse:
- Tenho R$ 500,00.
Mãe
- E?
Ana
- Vou comprar bolsas. Sabe que tenho bom gosto não sabe? Meu bom gosto será o meu trabalho e do que vamos viver.
Ana foi para o quarto se sentia mal com espécie de depressão que fazia questionar sobre os fundamentos da maldade e os fundamentos da bondade. Pensou que tinha sair para algum lugar que vendesse bolsas para revendedores e sabia que tinha que fazer isso escondido; porquê sabia que não somente seus vizinhos, mas mais pessoas iriam colar nela em alguma loja para saber o que ela compra. Também iriam questionar sobre esse tipo de trabalho ser honesto ou não. Ana sabia que ia vender seu gosto, pois é honesto gostar do que outro gosta? Não, há não ser que esteja a venda.
Ana saiu no outro dia bem cedo. Entrou em uma loja que estava aberta e já era horário comercial. Os atendentes eram diferentes de outras loja, um atendimento que ela conseguiu passar por ele sem barracos. Uma cliente da loja chegou bem próximo de Ana, não parecia ser para furtar, mas para saber o que estava comprando.
A senhora esbarrou em Ana e disse:
- É para você?
Ana
- Não. ..é para satisfazer outras pessoas. Qual o seu nome?
Senhora
- Matilda. Prazer!
A senhora desconfiada indagou:
- O que gosta de fazer?
Ana disse lembrando do quarteto do ônibus em tom sarcástico:
- Olha, sei do que não faço, não fumo, não bebo e não picho.
Matilda percebeu que apesar de jovem a garota era maliciosa como uma senhora e abandonou a conversa. É como que se o que você já fez durante toda a vida a qualquer passo do orgulho de se achar melhor do que alguém que já furtou te colocasse dentro de um escopo de maldade tolerável, como a de lucrar com pecado do outro. De certo não é um trabalho didático e nobre como o de uma professora que tenta diminuir os estímulos de consumo de seus alunos.
Ana saiu da loja com sacola meio pesada. Com a força muscular feminina mais fraca sem ajuda carregou a sacola até o ponto de ônibus onde assentou-se. Foi quando uma senhora de cabelos claros disse:
- Meu marido montou uma loja para sua amante.
Ana não deu muita confiança. Estava toda suada, as mãos vermelhas das sacolar de atacado que machucavam suas mãos. A senhora insistiu na conversa.
- Você é uma menina bonita.
Ana continuou desatenta ao assunto, estava com muita sede e fome, pois havia gastado todo dinheiro com mercadorias. Mas a senhora insistiu.
- Meu marido é um sem vergonha.
Ana respondeu do jeito que o cansaço lhe assolava:
-Deve ser um preguiçoso, que nem o cartão amarelo do à serviço da bondade deve conseguir, imagina só montar uma loja para uma amante.
O ônibus chegou Ana Amélia acenou para parar e gritou:
- Motorista abra a porta do meio por favor.
Se assentou e enquanto o ônibus passava pelas ruas Ana ouviu uma mulher gritar para uma loja chamada Biju modas.
- Essa loja não te pertenceeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.
Sentada no ônibus Ana amélia ouviu a preferência é das gestantes, sua força nem se quer a fazia lembrar que estava grávida. Mas outra gestante pegou o lugar que todos do ônibus gritaram para que um rapaz se levantasse. Maquiada e parecendo ter uma vida mais ligth do que a dela a gestante se assentou e como ela o ônibus estava cheio de homens ligth’s que precisavam sustentar uma família.
17 de Janeiro de 2024 –
Rua São Paulo – Centro de BH – Primeiro passo (viver de verdades).
Já na metade do caminho de volta para casa tinha um gabinete itinerante, o nome era gabinete da ajuda. Dizia que estavam ali para garantir o direito de pessoas como Ana. O gabinete itinerante fazia questão de lembrar do quão platônico era aquilo. Mas Ana jamais iria atacar àquela instituição social facilitada. Porquê ela sabia que ninguém gostava dela e ela dependia de ilusão de direito e Deus, ou seja, de castigo aos que cometessem um crime contra ela, para conseguir passar pelas ruas e sobreviver.
Todos começaram à comentar sobre o gabinete itinerante dentro do ônibus. Algumas pessoas diziam que político é tudo vagabundo. Outros falavam que só faziam promessas e outros ficavam em silêncio parecendo respeitar à instituição social política por parecer receberem algum tipo de assistência governamental.
Ana questionava dentro de si, quem eram essas pessoas, pessoas de bem, do mal, pessoas que não conseguiram fazer algum tipo de salto governamental, seja pelo envelhecimento, pela falta de beleza natural, ou pela fraqueza, que os colocavam como pessoas vulneráveis dependente das ajudas sociais.
A nova revendedora adormeceu no ônibus agarrada a sua sacola de mercadorias. Quando entrou em sono profundo e começou a sonhar. No sonho uma mulher bem aparentada pelo dinheiro que tinha começou a gritar:
- Você é pobreeeeeeeeeeeeeee… Safada.
Ana ficou trêmula de medo, mas estava na perspicácia do adormecimento.
- Você não percebem que não querem isso, que isso em mim. A mulher gritava com certeza do direito a ter persona de Ana.
Ana sabia que as pessoas a cercava não queriam isso nela, sabia que tinha ficar mais recatada na sociedade e em casa era o momento de ficar a vontade com seus pensamento, como modo natural de ser. Mas não era algo que ostentava na sociedade.
A mulher continuou a gritar:
- Vamos fazer isso em você sim.
Uma criança vestida de branco correu e gritou:
- Largue Ana. Deixe em paz. Para sustentar o seu caráter cheio de vontades, vai ter mamar macho.
A figura angelical do sonho se transformou em diabo.
- Deixe ela em paz, deixe Ana em paz, não toque nela oferendo qualquer tipo de serviço para conseguir ser comida sem mamar.
A mulher aparentada gritou:
- Essa casa é minha, enquanto vocês estiver assim será vigiada, colocaremos escuta e câmeras na sua casaaaaaaaaaaaaaa.
Ana acordou assustada avistou o ponto e puxou o sino de parada do ônibus, arrastou as mercadorias até a porta e colou em suas costas levando até a sua casa.
A jovem chegou em casa bateu com força no portão,estava com muita vontade de usar o banheiro, morta de fome e estressada. Então fez tudo que queria e por último descasou, se assentando no sofá. Com sua mãe de frente para ela desabafou dizendo que tinha tido um pesadelo no ônibus. Dizendo que se lembrava de uma série em que a atriz morria.
Quando não há o poder político e econômico as pessoas ficam
à vontade para dizer que não aceitam que você adquira qualquer bem, material ou moral. O poder e o dinheiro oprime a inveja das pessoas e muitas ficam intimidadas para expressar que não aceitam que uma atriz rica, seja magra ou famosa. Ana lembrava da série em que a atriz descia para dizer que o povo a amava para deter uma jovem moça que estava achando que era alguma coisa.
Amélia não tinha graduação, mas é uma menina muito esperta e curiosa. Ela se lembrava que há alguns anos tinha lido um artigo que dizia que a inveja era o antecessor de qualquer crime praticado. Parece que o gabinete da bondade iria receber algumas denúncias, várias queixas de você amor, era um tipo denúncia diferente, estavam denunciando o próprio de sentimento de inveja. Que eram apoiadores nem se quer do estado de saúde de Ana Amélia, que ela devia no mínimo estar alguma doença.
A mãe de Ana ligou o noticiário que dizia que um professor de biologia em formação havia assassinado três mulheres bonitas. Ana sentiu um mal estar, mas sua mãe viu como beleza. O noticiário continuou e dizia que uma senhora tinha matado estudante e que era porquê era um jovem macaco, chegou em casa assassinou seu filho autista. A próxima notícia era que uma mulher havia pintado o cabelo, não havia gostado e matou uma amiga. Depois uma outras incendiou o carro do ex. Tanta tragédia, Ana ficou para baixo, mas precisava se sentir melhor. Desligou a Tv e gritou:
- Assim não dáaaaaaa.
A mãe de Amélia, Clotilde disse:
- Você não precisa sentir isso pelas pessoas.
Ana
- Vou para cama.
Ana dormiu em sono profundo. No outros dia acordou. E as ruas estavam cheia de cachorros, muitos com pulgas que transmitem doenças. Seria isso uma nova política pública para deter algum tipo desviu de postura do código das cidades. Chegado na padaria comprou dois pães e queijo. E temia a saída do estabelecimento até sua casa, pois tinha uma sensação de violência social.
Já em casa uma cliente bateu na porta. Parece que estava interessada em uma bolsa. Ana estava sentindo um cheiro de cloro. A cliente começou à questionar sobre o lucro e a falar da sua vida sexual de como o seu marido vai bem fundo. A cliente então disse:
- Não permito que você esse cabelo.
Começou a gritar e saiu da casa. Foi quando Ana teve um insigth, que estavam várias senhoras , em roda que cheirava à cloro, todas as senhoras falavam da sua vida sexual profunda e começaram a gargalhar, um cheiro onça e toucinho saiu do hálito brasfêmico delas.
Ana no seu sonho lúcido começou à gritar:
- Eu vendo sabonete íntimo, escova de dente temos mais, mas eu vendo sabonete íntimo.
Parece que algo havia aumentado a auto estima daquelas mulheres que já sabiam, mas que esqueceram do envelhecimento saudável e de estar acima do peso com saúde mental. Amélia acordou do seu sono lúcido. E um carro com uma música passou na rua “fumando meu fino de canto, toma pau, toma pau, toma pau”. Ana começou a dançar e sem maldade gravou um vídeo.
Arrastando minha potência pela Europa, era o título da publicação de uma revista que estava em um criado na sala de Ana Amélia. O artigo falava sobre mulheres dispostas a ajudar com potência. Eu pego xoxota e soco, soco, soco. Preciso disso e quem não precisa, não precisa ser muita na vida não, dizia o artigo de uma especialista em sexo. Ana dialogava com o texto em sua mente e percebia que uma Europa mais potente talvez precisasse do seu trabalho braçal. Ana saiu estupefata daquela leitura, sabe quando se come um grande bolo e fica escorrendo pela boca e parece a gente foi realmente gulosa.
Um carro passou na porta de Ana e o motorista gritou, vai trabalhar vagabundo, parece que ali estava a raiva de uma potência. Novamente se sabe que o estupro é um crime e que a deformação social, o crime, é garantido pela potência. Ana Amélia percebeu que estavam a tratando com gênero masculino. Ana Amélia pensou em como se aceita uma potência vergonhosa, olhando no rosto de quem é pisoteada pela república e a deixa sem direito achando que ela. Justificando o ódio e os crimes como se fossem menos importantes porquê são cometidos por pessoas que se acham mais importantes. Ana Amélia estava desesperada em casa algo não estava sendo respeitado.
Clotitilde havia mandado fazer um placa, escrito, vende- se bolsas, que Amélia colou no portão, a placa tinha um tom de sutileza e elegância que inibia alguns clientes e atraia outros. Outra cliente bateu no portão e a família estava almoçando. A mãe de Ana se limpou os lábios rapidamente e atendeu o portão. Era a médica da Unidade Básica de Saúde de seu bairro. A médica comprou duas bolsas e saiu encantada com a simplicidade do atendimento e da casa.
A barriga de Ana começou a crescer e os vizinhos começaram a comentar, grávida? Quem será o pai? Colocaram uma placa, será que estão passando por dificuldades financeiras? Que loja é essa? Dentro de casa? Vende-se o quê? Sutileza ou mulambos? Ana pensou em vender algo que justificasse seu lucro. Havia algo embutido no lucro ai? Algum benefício?
Foi quando Ana teve outro sonho, daqueles em que se está acordada. No sonho Ana ia até a UBS e os profissionais diziam todos em diferentes ritmos e ao mesmo tempo, a assistência aqui é para garantir a doença e extermínio de vagabunda. Quem é pai? Só pode ser meu marido. Olha como o corpo está magro e o cabelo longo. Só pode ser piranha, safada e preguiçosa. Temos que esconder o que sentimentos para matar do lado da luz. Ana Amélie acordou e gritou:
- Paraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Sua mãe se aproximou achando que a filha só poderia estar com algum problema mental. E pensou consigo, mais essa para eu suportar. Ana estava com as mãos na cabeça e os batimentos cardíacos estavam acelerados. Naquele mesmo dia sua mãe vendeu todas as bolsas. E Ana Amélia planejou uma nova compra e também pesquisou na internet sobre os estágios da gestação e o parto natural sem auxílio médico.
Algo estava diferente em Ana, parece que as pessoas precisavam tocá-la. Seria alguma energia que começava a se concentrar unicamente em seu corpo? Cabeleireiros queriam mexer no seu cabelo, médicos e psiquiatras. Não era o meu marido que eu queria pensavam eles, era o seu. Para trepar sem mamar, tinham que enviar a assistência e insistir em ajudar.
Ana abriu uma página na internet que anunciava, Saiba qual a diferença entre parto normal, natural e um parto induzido (cesária)! Apesar de parecer uma publicação aberta à quem precisasse de ajuda, ao começar a leitura Amélia tinha uma dificuldade de compreender e parece que a publicação não era para ela.
O artigo dizia:
“ A diferença entre o parto natural e o normal é que o parto natural é realizado em casa sem ou com ajuda, muita se questiona sobre a legalidade do ato. O parto normal é realizado em ambiente hospitalar é um parto vaginal como o natural, mas conta ajuda de uma equipe médica. Enquanto que a cesária é um parto com data marcada.”
Amélia pensou se existia uma forma de viver que não fosse social que fosse natural e qual seria essa forma de viver bem pelas ações da natureza? Pelo verbo que se consolida em nós. Será que essa ação natural é a favor da minha sobrevivência, reprodução e morte, pensava Ana. Andando pela casa percebeu que a natureza não era favorável à sua sobrevivência e nem a do seu filho, percebeu que havia centopeias, lagartas, mosquitos e até seres minúsculos que avistou apenas com uma lupa. Começou à varrer a casa e àquele ato era uma luta pela sobrevivência.
Por algum motivo Ana não conseguia se sentir bem e em alguns momentos do dia era difícil arrumar a si própria e a casa. Como que se houvesse um contra corrente a respeito do seu bem estar, moral, psicológico e corporal. A jovem indagava se era por conta de algo que fazia, que pensava, se era algum desvio moral que estava lhe tirando as forças. No final do dia Ana banhou-se e se aprontou para dormir. Colocou o celular para despertar às 05:00 da manhã. Levantou tomou outro banho, passou o café, torrou pão com manteiga e espremeu duas laranjas. Ligou o noticiário para ver se ao sair de casa teria algo à temer, temporais, assaltos ou outros intemperes.
O jornal dizia que havia previsão de chuva. O suficiente para Ana colocar um guarda-chuva na bolsa. E o noticiário noticiava alguns atos de violência o suficiente para acender o seu desconfiômetro em relação as pessoas que a cercavam. Saiu de casa e um pequeno vento fechou o portão. Pegou a condução, comprou mais bolsas e comprou algo bem barato para comer, um churros, para que conseguisse chegar em casa com estômago forrado. Assim que comeu o churros, um raio atingiu a calçada e Ana abriu o guarda-chuva e carregou sua grande sacola até o ponto de ônibus, que pelos melhores resultados tempestivos já aparecera. Já sem a timidez, a jovem pediu:
- Abra a porta do meio por gentileza motorista.
Já dentro do ônibus Ana se acomodou, descansou, a chuva passou e ela abriu a janela e ligou um vídeo no celular.. O vídeo contava a história de dona Bertônia. Mulher de deputado mineiro, carregava um flor roxa gigante atrás da orelha, tinha a fala pouco desenvolvida e era uma mulher muito bonita, ou pelo parecia já ter sido. Dizia no vídeo que era de outro estado e que se sentia mineira. Que não tinha o aspecto de trabalhador como as pessoas de sua cidade natal e àquilo ela não era. Amélia não sentiu nenhum incomodo em relação a pessoa de Bertônia, mas se identificou com pessoas que trabalham muito para sobreviver. Apesar do esforço e tentativa de se tornar legal no próprio estado Ana percebia que havia uma espiritualidade em torno dela tentando a criminalizar. Pensou, seria isso um novo romance de Shakespeare, em que Ana estaria naturalmente dentro do aspecto criminal por força espirítual e cívica que gesticulava em cima dela.
Parecia uma perua, com o traseiro gigante e vestida de oncinha passou a foto antiga da mulher de deputado. Ela continuava blasfemando contra sua terra natal e dizendo que ali o padrão de vida era diferente, mas que para garantir a sua imagem legislativa tinha forçar pessoas a serem vistas como marginais, pois bom caráter ela tinha não. Ana pensou, parece que esqueceram de desligar o canal da jovem senhora, eita mulher de deputado! Era o quê? Um ato de corrupção escancarado pensou Ana. Continua pensando, não seria nem se quer nenhuma uma novidade, o país é bem corrupto mesmo.
O ônibus começou a comentar que havia vários vídeos da mulher de deputado e que o esforço para torná-la civil e o relacionamento do então deputado menos pejorativo perante os direitos sociais eram grandes. Médicos, cabeleireiros e tudo quanto é tipo de profissional trabalhavam incansavelmente na tentativa de recuperar uma imagem jurídica daquela relação. Ana Amélia novamente teve outro sonho lúcido;
Gritou uma catadora de lata:
- VocÊ é estupraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaadora!
Um pedestre
- Mulher estupra? Essa novaaa!!!
Vendedor de pipoca
- É abusadora de criançasssssssssssssssssss.
Motorista de ônibus
- Dizem que é terroristaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
E de repente todos começaram a gritar:
- Matem ela, matem ela, matem ela, é o demônio, satanás, vamos exterminar, ela não isso. Ela não é isso é só ela se juntar à nós que colocaremos ela no devido lugar. Vamossssssssssssssssssssssssssss matar! Guerra. Temos que salvar a imagem jurídica do país.
Ana Amélia acordou assustada no ônibus, o que porventura estava ocorrendo ali? Era uma ladra, tinha sair do Estado em que nasceu, ou ali morreria como índio selvagem sem terra e que sua morte se justifica porquê não tem coração. Ana começou a chorar e pensar, seria isso um karma?
Chegou no seu bairro, puxou o sino da carroça, estava nervosa, puxando a sua sacola e com aparência de andarilha naquele dia. Chegou até sua casa e quando abriu, sua mãe disse:
- Já trouxe os mulambos?
Ana
- Mulambos são afetos que a gente carrega mãe. Tem gente que não tem nenhum mulambo. E diz que tem coração.
Clotilde
- Inteligente você é minha filha, mas nem eu fui isso! VocÊ parece o seu tio Antônio (alcoólatra) seu primo João (esquizofrênico). Nem eu carrego esta sacola de mulambos.
Ana deixou sua mãe de lado e de novo outro vídeo da senhora Bertônia, que dizia ter rosto jovial e dava por duas mulheres de 20 anos na sociedade em que o trabalho e o conhecimento sacrifica o corpo e a beleza. Bertônia dizia ter um filho o Thomas. Toda orgulhosa a mulher mostrou a foto de seu filho. E os pais ressaltavam que eram fruto do amor, como que se tudo que ocorresse daquela classe por debaixo seria fruto do desejo, da promiscuidade e sendo assim da imoralidade.
Dona Bertônia é minha mãe dizia Thomas, Ana teve acesso à um vídeo da família que estava dando bastante repercussão. Mas que eu gosto mesmo é da minha professora, a Júlia é isso que o garoto dizia. Algo no Thomas o machucava, o de ser filho de Bertônia. Dentro do seu pequeno coração já se guardava o amargor de um homicídio, algo que fazia questão de esconder porquê machucava, machucava não ser visto e machucava o abandono. As fotos que eram tiradas para demonstrar na sociedade o que não era real no seu cotidiano eram bem articuladas por Bertônia. Até uma baba eletrônica daria um beijo no pequeno príncipe, que como qualquer criança não nasceu virtuoso e que precisava do cuidado de alguém que o amava.
Outros vídeos foram surgindo dizendo que o menino Thomas gostava dos seus professores e principalmente da Júlia. O deputado Simão correu para apagar os vídeos, pois além de não ser um bom deputado, o pequeno menino estava deixando claro a falta da educação afetiva que seu pai e sua mãe estavam deixando e a sobrecarga que era despejada em cima dos trabalhadores da educação social; quando de repente uma greve ameaçou a tranquilidade assembleiana. Nem todos os trabalhadores sentiam tanto amor na sociedade como Júlia, uma professora famosa e que a igreja católica falava de beatificação.
Ana teve um colapso nervoso que logo ia passar, percebeu que a medida que as pessoas vão se relacionando afetivamente em uma classe elas vão morrendo na classe em que amam. E que o consumo uni pessoas que estão em busca de poder. E o poder parecia uma pura defesa patrimonial e em algum momento o patrimônio se misturava com o direito de existir. Ana gritou:
- Preciso de um chuveiroooooooooooooooooooooo. Molhar a cabeça;
E não seria o chuveiro e a água que precisava para molhar a cabeça fruto das relações patrimoniais!? Em algum momento Ana ficou perdida e se sentiu frágil e hipócrita. O afeto pelo consumo, consumir algo para dar conta de um sentimento ruim a respeito de alguém, não é força propulsora da sociedade e que até os menos afortunados vivem dessa energia.
Clotilde gritou:
- Ana Améliaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.
A mãe da jovem parecia sentir um grande mal estar só de pensar que Ana poderia estar fazendo algo prazeroso. Toda vez que a jovem ia até a cozinha sua mãe ia atrás, parecia não ser por economia e sim por algum outro tipo de sentimento. Clotilde sempre abria um discurso comparando a filha com outras pessoas e dizendo que ela teria que sair para o mercado de trabalho. Gostava da casa livre só para ela e de que a filha saísse para trabalhar e voltasse à noite. Pois ela mesmo prepara a comidinha dela e continua sendo alguém de relevância social por ser a mãe de Ana.
Mas parecia que ao mesmo tempo a mãe de Ana carregava uma espécie de medo do abandono apesar da socialização em cultos religiosos tinha uma imensa dependência afetiva em relação a Ana; uma dependência de objetificação afetiva da filha. Nestas alturas o traseiro da velha se encontrava do tamanho do de dona Bertônia. A moda naquele ano era os trajes de oncinha e que Clotilde fazia questão de andar pela casa com uma blusinha de onça.
Ana respondeu
- Calma mãe, só irei me apetecer!
Foi quando Ana teve mais um sonho lúcido, em que seu mundo se misturou com o de Thomas uma criança de 8 anos. Estavam ambos no fantasioso mundo de BOB? Bob é seu amigo ou ele não é seu amigo? É um demônio que dorme debaixo da sua cama e que te ajuda? E um diálogo começou entre Ana e Thomas:
Ana
- Sou eu Bob.
Thomas
- Ana.
Thomas
- Ana!
Ana
- Bob, sou eu seu maldito favorito e pode confiar em mim. Vamos entrar nesse imenso mundo de aventuras e lutar pela nossa sobrevivência.
Ana voltou do sonho lúcido que havia tido e ligou a TV quando o noticiário era transmitido dizendo, atriz de telenovelas morre com 50 marretadas na cara, a atriz Kelen Miranda contratou um pedreiro voluntário. A Renomada atriz conhecida pela sua vida boemia e caráter dissimulado, apanhou até a morte e foi enterrada no quintal de sua própria casa. O pedreiro passou na TV dizendo:
- DançarinaaaaaaAAAAAA pronta para enterrar.
O pedreiro era cativante e parecia até um comediante, apesar da morte sórdida da atriz e a violência do ato, o pedreiro era famoso, pelos atos trabalhistas caridosos. E agora? O que fazer dizia o pedreiro e ao mesmo tempo ele cantava sabiá pediu para cantar mais eu, mas eu não canto o canto desse sabiá. Todos os jornalistas estavam chocados com a crueldade do pedreiro e do contrato de trabalho voluntário à um tipo de serviço braçal com uma atriz milionária. Parece que as leis ecológicas e do tempo de vida trassaram o destino dos dois, o pedreiro estava preso e a atriz com boca cheia de minhoca. O pedreiro não parava de repetir:
- Ai meu meu Deus, assassinar é tão bom!!!!
O policial deu um tapão na cara do até então trabalhador e ele continuou dizendo desorientado:
- Ai meu Deus, assassinar é tão bom!!!
Logo depois outra notícia uma cozinheira saiu da cozinha e pregou a mão de uma advogado na mesa com uma faca. Os jornalistas invadiram a cozinha e os policiais também, parece que queriam mostrar o rosto da cozinheira, cujo o trabalho valia R$ 1400,00. Ela dizia para todos na TV ouvirem:
-Isso é para você defender meus direitos.
Ana começou a rir e não sabia o porquê ria, era àquilo uma comédia trágica? Foi quando outra notícia apontou no jornal, dessa vez o caso era entre uma modelo e uma esteticista, a modelo iria fazer uma depilação e a profissional dizia rodeada por policiais e jornalistas:
- Esquentei a cera e joguei tudo na cara da vagabunda!
A esteticista não parava de dizer:
- A vida é difícil, a vida é difícil!
Ana então desligou a Tv percebendo que o dia não tinha sido difícil apenas para ela. Se aprontou para dormir, deitou-se e desligou um abajur que descansava em cima de um criado mudo ao lado da cama. Antes de adormecer lembra que seu último pensamento foi quanto a espiritualidade de que a cama no meio do quarto te deixa mais sensível, enquanto que cama encostada na parede te deixa menos sensível. Pensou que seria uma ótima oportunidade de estudo para os profissionais do Feng Shui. Ana sabe que a classe que usa cama encostada na parede é a C, pensou que ao encostar o móvel na parede a pessoa entra em uma espécie de alinhamento energético com o praticantes do ato. E ao colocar a cama no centro do quarto o mesmo ocorre com os praticantes deste outro ato.
Ao acordar Amélie tostou duas torradas e comeu com geleia de morango. E também tomou um café com baunilha solúvel em leite. Um café mais doce do que o de costume, logo em seguida pensou em algo que pudesse deixar para o seu filho que iria nascer e também o nome que iria colocar. Pegou uma dúzia de papéis rasgados de uma caderno sem pautas e começou a escrever:
“ Imi(migro) Lego é um livro pensado com muito carinho que será/foi escrito em 2023 para crianças sobre questões morais como respeito e espaço para os vulneráveis. Já no meio do ano de 2023 sinto uma grande agressão espiritual em relação ao que posso e ao que não posso escrever neste livro. Espero poder escrever este livro até dezembro, conseguindo ser altruísta e vencendo as minhas guerras pessoais. Estou em batalhas espirituais para conseguir escrever, espero conseguir ser justa e solidária.”
Ana Amélie fez alguns rabiscos do que iria parecer ser uma história infantil. Foi quando sua mãe Clotilde bateu no quarto e disse:
- Ana Amélia de onde você tirou a ideia de está grávida?
Ana assutada indagou:
- Não estou?
Foi quando várias vozes encheram o calabouço mental de Ana, somos mães, você é estranha, parece ser imoral, para crianças não, não escreva para crianças, vamos proteger nossos filhos. Foi quando Amélia desmaiou e sua mãe à carregou até o chuveiro com todas as mazelas da idade que sacrificavam o seu corpo. Ana acordou parecendo não acreditar na falta de capacidade de produzir algo, com imensa dor deitou-se e adormeceu em sono profundo. E como em lucidez outros sonhos emblemáticos tentaram ressignificar sua vida. No sonho Ana caminhava arrastando-se sobre a terra úmida e a chuva começou fazer com que ela se sentisse parte da lama.
Era ela a lama ou algo a mais que isso? Um cheiro de madeira mofada pairou sobre suas narinas e se sentiu dentro de um caixão em madeira está mofada e gosto de terra em sua boca. De repente todos gritaram, eram eles:
- Não queremos ser você, não queremos nada que venha de você, não queremos que você produza! Foraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Foraaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Não queremos vocês seja boa pessoa.
Foram mais de 12h de sono e Ana ouviu de uma juíza, queremos demonstrações de misógina, xenofobia e racismo, mas em você são crimes bem mais hediondos, sujos, como alguém que não vale nada. Após acordar Ana refletiu sobre o sonho, se as suas investidas de bondade eram excessos cometidos por ela que pertencia à uma classe em todos negam o trabalho porquê não querem nada deles. Tentou entender os pensamentos das pessoas que sobrepunham a sua classe e tentava em sua mente justificar o que aparentemente parecia maldade, a maldade deles.
Algum fundo racional todas as pessoas daquele sonho tinham, a luta pelos próprios privilégios, a luta pela própria vida moral e honra. A bondade de Ana Amélia de escrever sobre Xenofobia, misoginia e racismo de alguma forma parecia atacar a sobrevivência daqueles que estavam sobre ela. A jovem garota percebeu que ela devia retroagir na tentativa de oferecer trabalho, escrita ou ajuda para quem vê-se isso como uma ameaça à própria existência.
Percebendo que as suas investidas de bondade para o outros estava soando como ataque ao direito do outro, Ana passou algum tempo escrevendo nas paredes do próprio quarto e sua memória era boa o suficiente para levá-la de encontro a vivência que tinha tido com os jovens do ônibus; onde a garota dizia não escrevo em papel, apenas em árvore e em parede. Amélia não queria dar uma de vítima e nem demonstrar sua vulnerabilidade diante da incapacidade de produzir e de se reproduzir. Os seus próprios pensamentos iam passando e o mundo do trabalho, o desemprego, as bolsas que vendia e a sua infertilidade se cruzavam gerando um mesmo sentido que a levava a uma espécie de depressão profunda. Se sentia uma improdutiva e consumidora; de alguma forma dentro de uma espécie de cadeia alimentar ela se diria até o homem branco que produz toneladas lixo todo ano.
Já era tarde quando uma enxaqueca avassalou a cabeça de Ana, tomou alguns analgésicos e o seu sistema nervoso rejeitou levando à ao vômito e a melhora repentina da dor.
Foi então que Ana ligou para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais e pediu ajuda, não para todos, mas para ela. Algo estava errado no próprio estado que nasceu, seria algum tipo de conspiração? Nem sua própria mãe acreditava em todas as coisas que dizia. Amélia tinha a convicção de que a atriz que desceu para ajudar o povo e morreu, àquela TV, estava viva. E falando mal dela por ai, seria isso uma espécie de massacre legislativo contra monstros como Ana? É isso que parecia que diziam da classe C, que eramos monstros querendo subir e tirar o lugar, o espaço da família deles. O telefone do gabinete do deputado fanfarrão Drº Simão tocou.
Ana
- Alô!
A atendente
- O senhor Simão não está, tenho que verificar a agenda.
Ana ficou sem graça desligou o telefone quando sua mãe Clotilde bateu na porta do quarto e disse:
- Você lembra daquele curso que você fez?
Ana
- Que curso?
Clotilde
- Radiologia. Você não fez um curso superior.
Ana
- Cochichou e pediu para que a mãe deixasse de ser louca, pois se ela quisesse andar de carro ela tinha que ficar caladinha e ser bondosa com ela.
Clotilde
- Eu não estou entendendo!
Ana
- Eu vou te explicar, eu não trabalho no meio daquele povo, eles são psicopatas. O doutor Germam uma vez me disse que meu cérebro era feminino e que eu tinha uma enxaqueca idiopática que acomete idiotas. Depois fui na oftalmologista e ela disse que se eu lê-se mais alguma coisa eu iria ficar cega. Você tem que ficar caladinha e me ajudar a esfriar a minha cabeça e a diminuir o aporte de glicose para o cérebro. Uma vez tive um sonho que todas àquelas pessoas que você diz que tenho que interagir na sociedade, estavam dizendo em coro alto “Só estamos esperando seu cérebro pifar, o Alzheimer há de chegar”. E vou continuar te dizendo uma coisa mãe, disseram inclusive que é uma doença de pardos e que sou uma pobretona. Você acha que eu fiz algum curso importante?
Clotilde
- Não parece!
Ana
- Então!
Clotilde
- E você minha filha tem algum plano para o futuro?
Ana
-Sim, vou montar uma escola.
Clotilde
- E como vai fazer isso?
Ana
- Vou fazer o vestibular e vou deixar bem escondido o meu passado nesta outra universidade. Vou entrar com as minhas ideias e com meus princípios do mundo colaborativo em alguma universidade pobre do interior. As paredes já estão lá, vou entrar com as minhas ideias e espero ter algum dinheiro para sobreviver.
Clotilde
- E que curso é esse?
Ana
- Licenciatura em Ciências Biológicas..
Clotilde
- Vai ser professora?
Ana descrente que eles iam deixar
- Talvez.
Ana passou como excedente no vestibular, chegou na universidade e ouviu em seu subconsciente as pessoas dizerem, ela chegou e dizem que é perigosa, vamos parar a bandida aqui mesmo. Amélia fez o primeiro semestre e passava todo conteúdo espiritualmente na sala de aula, a sala e os professores ficaram contaminados com algo. E a sociedade parou no segundo semestre, mais uma notícia no jornal, o surgimento de um novo vírus na China, é a COVID – 19.
Na nova graduação por ser um curso em educação todos eram levados de encontro aos laços familiares e ao compromisso com as crianças. Parece que havia uma cobrança internacional pelos laços afetivos de Amélia. Em vários momentos era levada ao questionamento moral e ao entrelaçamento familiar do deputado Simão. Cadê o romance? Precisamos desse romance para afastarmos você da universidade o subconsciente de Ana dizia o que a sociedade falava sobre ela. Enquanto a sociedade a empurrava para os problemas afetivos e morais do deputado Simão. Ana pensava em quanta gente estava envolvida com a fábrica para que o vinagre chegasse à sua dispensa e que tinha que contribuir com a produção fabril.
Ligou a Tv e a professora Júlia dizia em entrevista, são várias catástrofes naturais, temos que diminuir o consumo. Por outro lado temos que garantir também a segurança alimentar das pessoas.
Cada produto que consumia gerava em Amélia uma sensação de culpa e ao mesmo tempo de prazer pelo fim da sua dor e a garantia do término da vida. Seria esse um pensamento suicida que Ana transferiu para os produtos que consumia!? Gostava de pensar na decomposição e no fim do lixo no fim da dor. Mas também pensava constantemente se os funcionários da fábrica estavam tendo uma vida prazerosa!?
Nesse dia Amélia fotografou vários momentos felizes, do término da dor, do lixo, do resto e da embalagem. E parece que ambientalista ela não era, pois estava sentindo prazer no fim da vida, que objetificou no lixo
Ao mesmo que descartava os materiais e resíduos pensava em como, quando e por quem àquilo que ela dependia para ter qualidade de vida em relação aos que viveram na pré-história era produzido. Também pensava na importância da produção científica e a artistística, sabia que toda essa produção elitista dependia de mentes inovadoras. Tudo isso era sobre o surgimento do vinagre, sobre a cadeia produtiva, quem produz, quem lucra e quem consome. E ao mesmo tempo tudo isso era sobre novas formas de pensar família, sociedade, cultura e sobre eurecas do cotidiano.
Ana sempre foi uma curiosa e uma escritora utópica que forçava os seus colegas a lerem as besteiras que escrevia quando criança.
Foi quando Ana teve um contato pessoal, não científico com um artigo sobre a produção do vinagre. O texto era produzido por uma empresa importantíssima a EMBRAPA (empresa brasileira de pesquisa agropecuária).
O documento escrito por Luiz e Júlio dizia que o vinagre é obtido pela fermentação acética do vinho; a palavra vinagre significa vinho azedo; Pasteur determinou as bases científicas da produção industrial do vinagre; o vinagre já foi usando como medicamento para o tratamento de ulceras e feridas. Ao se deparar com outro produto do seu consumo, uma pasta escolar, com as cordas frouxas, Ana procurou por outro texto que pudesse satisfazer suas indagações, e torná-la quase que uma mestre em ciências. Muitos estudantes de universidades têm dificuldade de escrever um texto de conclusão de curso, um artigo ou uma tese.
Ana sabia que era só levar a um texto que te apresentasse questões à serem respondidas ou ser uma pessoas curiosa por natureza epistemológica
0,9º Passo
Vivendo de Mentiras
Se era o que o Drº Simão queria que Ana vivesse das verdades dele e não daquilo que realmente acontecia, Amélia iria se deixar levar pelos delírios. E dessa vez ela era uma barata que queria acasalar com um macho. Foi quando ao anoitecer voou para cimas das costas do macho que ficava dando bobeira com suas costas e traseiro doce. Foi quando Ana se percebeu em um delírio solitário em que era uma óvulo que amadureceu sozinho e uma grande ovoteca apareceu em seu ventre.
E barata depositou sua ovoteca debaixo da mesa do senado. Estavam dizendo por lá que não queriam seus ovos porquê o seu sangue não foi formado direito e era só um líquido branco uma coisa bem desastrosa. Além disso estavam com muito preconceito dizendo que as baratas transmitem doenças prejudicando a sociedade dos ratos. O rato Anastacio ficou muito nervoso e chamou uma empresa de detetização para tirar coisas baratas de lá. Afinal todas estas questões da sociedade animal eram delírios sexuais e perverão de Ana.
O rato Anastacio não gostava de baratas e amava as suas ratas que perambulavam pelo senado. Rata tem que ter sangue vermelho dizia o grande senador. Um burocrata que outros animais temiam, mas respeitavam bem mais as baratas.
Afinal aquele grande rato tinha o seu papel fundamental no nicho ecológico brasileiro. Anastacio gostava de um bom restaurante e quanto se assentava em uma mesa de jantar as ratas faziam questão de dizer que cozinhavam melhor que baratas. Diziam as ratas:
- Somos mamíferos né doutor, ou você achou que eramos artrópodes? E pior, um inseto.
Anastacio
- Jamais irei confundir minhas ratas burocratas cozinheiras, com a cozinha das baratas da sociedade fabril.
A rata Rosa então disse:
- Acho bom do senhor não esquecer das burocracias, assim garantimos a segurança na cozinha, afinal para conseguir toda essa papelada precisamos de muita paciência; e aqui mexemos com faca, óleo quente, muita coisa perigosa para gente sem paciência.
Rato Anastacio
- Tratarei sobre todos os assuntos burocráticos da contratação, da migração, da entrada em universidades e de questões fiscais. Bom, quando as fronteiras e a documentos de migração e imigração falarei hoje com representante da sociedade repitiliana. Sabe que somos mamíferos e não répteis; falarei sobre armamento com Jacaré Miguel, representante da polícia federal no senado.
Simão gritou:
- Não sou barata, sou um réptil.
Ana disse:
- Você é um delegado operacional, quase um integrante fábril, não pense que é um policial federal.
Simão
- Vou te provar que sou tão importante como um réptil.
Simão deu queixa de um assalto realizado por baratas na sua mansão na Pampulha e disse que as baratas eram animais relacionados com Ana, vinham lá dos bairro Olhos d’ água. Depois Simão com suas asas de barata tentou voar para cima das costas de Ana para tentar o acasalamento e Ana ligou para a assembleia legislativa para denunciá-lo por sexo selvagem e animal; na sociedade civil isso é estupro disse Ana. As atendentes da assembleia disseram que era uma ligação criminosa e que Ana era uma barata criminosa.
Foi quando Simão pediu apoio para provar que era um réptil ao defensor da família o jacaré Sorocaba. A fêmea de Sorocaba ,o qual, defendia a família dava igual chuchu na rama e ele ficava nervoso porquÊ era um jacaré e não um touro. Dar igual chuchu na rama é um ditado popular brasileiro para fêmea social e vulgar.
0.7º Passo
Vivendo de verdades cruéis
Ana sabia que o envelhecimento é uma verdade cruel. E que já era preciso tentar lhe dar com ele. Via em sua volta que as pessoas ao envelhecerem se orgulhavam de terem sido médicos, advogados, procuradores de justiça e até mesmo assassinos. Se orgulhavam de terem casado, de terem tido filhos e também de terem aproveitado muito bem a vida com diversidade sexual. A verdade cruel é que todas pessoas ao envelhecerem se orgulham do passado e a cada presente é uma juventude que cedida para os que nascem depois.
A perca jovial e lhe dar bem com ela é o que garante espiritualmente a longevidade. A sociedade e a espiritualidade detesta os idosos, a deformação corporal e a eternidade do corpo. A espiritualidade envelhece o corpo e amarga ou azeda a alma levando o indivíduo para a morte. A verdade é que o autor de qualquer obra é morto e isso todos já sabiam e que o que permanece são apenas suas palavras. Para um novo corpo, o corpo que nasceu depois de quem deixa as suas palavras.
Ana se levantou da cama e percebeu que os seus seios como a gota de uma orvário haviam declinado. Alguns fios brancos já haviam surgido em sua cabeleira e os seus olhos já lhe tiravam a dignidade jovial por uma miopia. Amélia já percebia que seu coração não era mais tão forte fisicamente e seu emocional conseguia lhe dar com a perca e o sangue misturado à lascas de madeira de um colega de sala que havia perdido.
O comportamento cruel e desajustado de um familiar fez seu coração forte o suficiente para suportar sangue misturado em pólvora. O frango que rotineiramente costumava a comprar se fechou junto à infarto fulminante. Sabia que suas narinas e sua orelha iriam aumentar de tamanho no futuro e que a natureza avisava de que uma pessoa com aspecto de bruxa tinha que domar qualquer bondade desproporcional a idade, caso o contrário serial fatal e dispensável para a própria existência.
0,6 º Passo
Vivendo de mentiras fáceis
Ana foi até um consultório psiquiátrico da doutora Gioconda e ela disse:
- Se acalme a medida que o tempo passa vai tudo ficando mais fácil.
Ana
- Fácil
Gioconda
- Sim, vamos dar a anestesia.
Ana
- Para quê?
Gioconda
- Para anestesiar o processo.
Ana
- Não vão anestesiar a dor?
Gioconda sem conseguir esconder que a medicina não funcionava para Ana:
- Não, vamos anestesiar o processo, porquê não queremos isso em você.
Ana
- Isso o quê?
Gioconda
- O processo.
Ana
- É algum medicamento para cura social, destinado ao meu corpo?
Gioconda
- Sim, é um medicamento para impedir que você conclua os seus processos, e irá diminuir toda a dor relacionada ao processo depressivo. Você tem tido muitas lembranças do passado?
Ana
-Sim.
Gioconda
- Algumas coisas são sim medicina social Ana.
Ana
- Alguém limpa a sua casa e recebe pouco por isso não é verdade? E os filhos dessa pessoa tem problemas como os seus. E a casa dessa pessoas precisa ser limpa depois de limpar a sua.
Gioconda
- Sei sim, e o que você quer dizer com isso?
Ana
- O que eu quero dizer é que além de você ser a doutora, você deve pagar pela doutora da sua faxineira.
Gioconda
- E porquê ela mesmo não paga?
Ana
- A psiquiatra é eu ou você?
Gioconda
- Só quero saber mais do seu problemas.
Ana
- Do nosso. Estou dizendo que você foi escolhida para garantir o futuro de todos, por isso tem mais dinheiro, por isso deve pagar os impostos, para optar pela saúde e não por uma blusa para sua faxineira e pela educação gratuita dos filhos dela.
Gioconda
- Trouxa eu não.
Ana
-Doutora também não.
Gioconda
- Vou te denunciar por violência ao servidor público.
Ana
- Eu vou colocar a faxineira para pensar e você para limpar. Se você não consegue assumir o posto de doutora, desça dessa classe imediatamente. Afinal ninguém é trouxa, nem mesmo você.
Gioconda
- Filha da puta!
Ana
- È isso mesmo uma hora você não consegue passar embaixo da ponte que você fez para os pobres. O engenheiro que vocÊ fingiu que era afinal você não é trouxa. E tudo isso é para proteger a rapidinha das seis da tarde.
Gioconda
- Eu adoro!
Ana
- No prostíbulo você recebe por isso. E não precisa fingir a preocupação com a moral. As máquinas trabalham pela ponte certa. Ninguém terá tempo para te julgar e você ainda gozará de toda engenharia daqueles que realmente conseguem calcular e fazer a escolha certa.
Gioconda
- Isso é desacato.
Ana
- Isso é a consulta que estou te dando. E fique bem tranquila quando a doutora montar o consultório na Guaicurus com atendimento sexual aos mais necessitados, eu mandarei todo o medicamento e informação necessária contra DST’s, Preps, props e o tratamento. Porquê sim, eu sou a trouxa ou a louca dessa história.
Gioconda
- Então agora você é a louca.
Ana
- Sim, eu sou as leis, tenho que deixar de ser a espiritualidade e pensar só em mim, preciso que outra pessoa seja Deus. E que você seja a doutora.
Gioconda
- Não é sobre quem você quer ser. É sobre quem você consegue ser. Muitos querem ser ricos, médicos, atrizes, delegados, bonitas e magras. E tudo sobre quem você consegue ser. Caso contrário é tudo uma pretensão pessoal descabida. Quer ser médica? Envie os medicamentos e a informação para as profissionais do sexo.
Gioconda
- E se meu marido for um cliente.
Ana
- Se ele for um cliente, tem que perceber que salvou sua própria vida.
O telefone do consultório da doutora Gioconda tocou. Era uma juíza e com os ouvidos platônicos que davam margem para a esquizofrenia e aumentava a pressão intracraniana de Ana a jovem garota ouviu a conversa. A juíza dizia está precisando de ajuda doutora? A doutora disse, por enquanto não. E Ana pensou com sua voz burocrática que antes de passar pela juíza ou um delegado teriam que enviar um policial militar caso a doutora tivesse alguma queixa. Gioconda desligou o telefone e continuou a conversar com sua paciente.
Gioconda
- Parece que é carnaval. Você vai em algum bloco.
Ana
-Não. Sou uma excluída não convidada, nesse momento posso sentir me como um ser humano que deseja que algum acidente ocorra e que todos peguem Dst’s, mas mesmo sentindo isso, caso eu quisesse ser pelo menos uma má doutora, teria que conseguir distribuir camisinhas e garantir toda a segurança do local.
Gioconda
- Alguma queixa.
Ana
- Parece que reprimir insatisfações como um não convite e mesmo assim desejar o bem de todos, está funcionando para a minha cabeça como uma doença autoimune onde eu me mato por dentro para ser jurídica, boa e legal. Preciso que pessoas com condições sociais favoráveis sejam boas e que eu possa sentir coisas ruins e me recituar,
Gioconda
- As condições sociais nem sempre são favoráveis. As vezes mandamos a limpeza da dengue e o morador não quê. Mandamos a moradia e o morador de rua não quê. Mandamos a educação e o estudante não quê. Mandamos o medicamento e paciente não quÊ.
Ana
- Agora você é a doutora, sorriu Ana aliviada por não ser Deus. É verdade.
Gioconda
- As condições sociais não sempre favoráveis para manifestação da bondade.
Ana
- Quando você está em consultório você tem que saber se é médica ou não, caso contrário você pode adquirir um câncer. Tem pessoas que gostam do exercício da bondade e isso faz bem para elas. E outra pessoas não.
Gioconda
- Para você o que é bondade e maldade.
Ana
- A bondade e a maldade sempre vão se encontrar. Quem recebe a bondade sempre é alguém com menos daquilo que recebeu, alguém com menos virtude. E isso é sempre contextual. E é por isso que cada pessoa trabalha com algo diferente, isso significa que a pessoa é boa em algo que oferece e ruim em algo que é beneficiado por outra pessoa.
Gioconda
- Então a bondade é contextual para vocÊ?
Ana
- Sim. Somos bons em algo primeiro para nós, esse é o momento da aprendizagem, só oferecemos aquilo que conseguimos internalizar. É certo que a bondade e a maldade se encontram em alguma esquina para trocar. Muitas pessoas se sentem sugadas pelo mundo trabalhista, outras pessoas gostariam de ter algo à oferecer. E por isso que a qualificação é o sonho de muita gente.
Gioconda
- E você é boa em quê?
Ana
- Eu acho que eu escrevo!
Gioconda
- Mas um escrivão também escreve, uma atendente de lanchonete, uma médica, um delegado. Você escreve como eles?
Ana
- Não.
Gioconda
- Escreve como?
Ana
- Escrevo como artista. Sem padrão, sem saber da próxima página ou com padrões criados
para anestesiar alguma, alguma ausência. Escrevo com vícios de linguagem porquê as vezes
é preciso deixar quem estar lendo ciente da intensidade e dos vícios de quem escreve. Acho que as vezes sou boa de mais comigo mesma, isso significa que estou sendo cruel comigo mesma, E outras vezes acho que estou sendo cruel comigo mesma e quando é assim sei que estou sendo bondosa com os demais.
0,5 º Passo
Vivendo da verdade dos outros
0,4 º Passo
vivendo das mentiras que outros contam
Dona Antônia foi até a casa de Ana Amélia e disse:
- Tenho algo de importante para lhe contar.
Ana
- O quê?
Antônia
- Há 7 anos você está vivendo das mentiras que os outros contam.
Ana
- Mentiras ou verdades dona Antônio, tenho que lembrar que muitas dessas coisas são pura verdade, pois eu carrego as verdades do meu nascimento, raiz, da minha inserção social.
Antônia
- Então você furta?
Ana
- Não, nunca furtei. Mas as pessoas são preconceituosas para se protegerem. E nos também
devemos desconfiar de quem tem mais que a gente. Porquê o preconceito é atacante.
0,3º Passo
Vivendo das verdades da natureza
É verdade Ana a natureza é auto-curativa, é você que soava de dentro da sua mente. Os fenômenos e até as catástrofes naturais ocorrem na tentativa da própria natureza equilibrar os seus processos. Você é a sua natureza Ana, a jovem pensou se essa voz era de algum deus grego ou cristão.
0,2º Passo
Vivendo das mentiras da natureza
Um camaleão adquiri as cores mentirosas para sobreviver as intempéries da natureza. Preciso engordar para conseguir um salário mínimo, acho que com alguns quilos a menos eu perco esse emprego, pensava Ana sobre a nova oportunidade trabalhista. Como uma lagarta que assume a coloração dos galhos das árvores a doutora Samanta disse que eu teria que trabalhar. Da minha casa pensei, eu Ana, uma lagarta muito esperta disse:
- Me deixa em paz, eu te indico o nepotismo. Contrate o seu marido para trabalhar. Tenho que resolver assuntos de 100 páginas, meus entrelaçamentos, minhas descobertas pessoais. E isso mesmo.
A repórter gritou:
- Você não tem o direito de ser isso ai.
A atriz também gritou, àquela que morreu e sobreviveu:
- Eu também trepei;
A repórter disse o que parecia um delírio, mas era outro capítulo o das mentiras da natureza:
- Parece um coelho.
Ana disse:
- Então, vocês querem uma cenoura.
0,2º Passo
Vivendo de convenções sociais
Clotilde é uma senhora negra mãe de Ana, ela começou a desconfiar muito da filha. E trancava a porta para dormir, e dizia para as clientes não entregar o dinheiro para a filha, pois ela furtava. Montou um grupo no whatsApp para dizer que Ana explorava financeiramente dela e que até batia nela. Ana nunca tinha batido em Clotilde. Clotilde começou a olhar uma criança e todos começaram a dizer que ela não era de confiança nem sequer entres o pobres, imagina com acesso a mais poder que o que ela tinha, que não era nenhum.
Foi quando Clotilde começou a desenvolver cleptomania, a senhora começou a cometer pequenos furtos por pura vontade. Era uma convenção social a de que Clotilde tinha cleptomania e não era uma ladra pois ela tinha dinheiro o suficiente para viver e um pouco mais. É como que sua personalidade tivesse sofrido alguma mutação por algo que ela tenha feito com Ana.
Ana fazia questão de lembrar a própria mãe da cor da sua pele, pois todos iam acabar tirando o diagnóstico de cleptomania e dizer que ela é uma velha safada. Clotilde não conseguia nem sequer pegar um ônibus e ver o celular no bolso de alguém. Que ela logo assumia àquela figura do palco das igrejas universais dizendo que sente muita vontade de furtar, como àquelas pessoas que sentem vontade de usar drogas e comer sem parar. Ela pulava e dizia que não pode confiar em Ana e ao mesmo agarrou a cintura de jovem no ônibus para tomar dela o celular. Clotilde ficava babando quando cometia o furto.
Amélia foi para o seu quarto e começou a colorir uma revista da Marvel, Capitã marvel, uma capitã loira. Sabia que na sociedade existia movimentos da valorização da cultura negra. O dia da consciência negra; e políticas públicas do combate ao racismo. Sabia que a classe social que concentrava pessoas pardas e negras era a c; e que sim é verdade que a medida que se ascende socialmente as pessoas iam embranquecendo. Mas enfim, o seu senso comum também dizia que a ascensão social era dolorosa para todos, para quem busca por uma vida melhor e para quem tem que abrir espaço para algo diferente, para a diversidade incomoda.
O senso comum e sua própria personalidade também lhe salientava que era um dever da própria Amélia respeitar as construções sociais, a civilidade, as produções científicas, a casa da moeda. E que o respeito à classe dominante e a etnia branca devia caminhar junto na busca por espaço pardo. Sabia que não podia forçar o rompimento do afeto e das afeições particulares dos entrelaçamentos que existiam acima ou abaixo dela.
Ana Amélia pensava que nenhum relacionamento pessoal inter-racial ou não, não poderia caminhar junto com políticas públicas. A jovem fazia questão de lembrar de um escritor que tinha lido que dizia, pior o indivíduo que generaliza algo para atingir algum aspecto social proveitoso para si, convertendo seus sentimentos em racismo, gordofobia, xenofobia do que àquele que age particularmente em relação a cada acontecimento que diretamente lhe afeiçoa;
Ana Amélia se voltou para Clotilde e tentava mergulhar nas particularidades do seu dia-a-dia, junto a sua mãe. Para ela o sucesso tinha haver com a sua matriarca, de como ela condensava os sentimentos relacionados a sua parentabilidade. Foi quando Ana voltou a ter sonhos lúcidos. Um carroceiro passou e disse:
- A sua família é àquela nuvem de fumaça?
Ana
- Sim senhor.
0,1º Passo
Vivendo de Intervençôes sociais
0º Passo
O fim ou o começo


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